sábado, 3 de outubro de 2009

Uma Noite de Terror! (Conto)

Luís Campos (Blind Joker)


Quando um dos quatro homens tentou me pegar, fugi por uma porta lateral. Eles correram atrás de mim. Pulei da varanda sobre o teto de um dos carros estacionados, amassando-o quase completamente e pulei ao chão, correndo rente ao muro da casa. Podia ouvir os gritos dos meus perseguidores e os latidos dos cães, agora também em meu encalço.
Nem pensava em olhar para trás, só queria saber como me livraria da sanha daqueles bandidos. Quando alcancei o portão, percebi que era apenas fechado por um trinco. Puxei a lingüeta e saí, batendo-o atrás de mim, no exato momento em que os cães chegavam, esbarrando-se contra este. Continuei correndo pelas ruas escuras do condomínio, até chegar à guarita de entrada. Abri o portão, deixando-o escancarado, e corri até onde deixara meu carro. O interessante é que eu sabia que meu carro estava ali, mas não sabia como chegara e nem quando. Entrei e como a chave encontrava-se na ignição, liguei o motor e saí
do local em disparada. Eles não se deram por satisfeitos. Logo três carros me perseguiam pelas ruas da cidade. Eu dirigia como louco, embora fosse de madrugada e o trânsito estivesse tranqüilo. Vez por outra, um farol alto refletia no retrovisor interno, ofuscando-me. Minha cabeça latejava e meu corpo denunciava as marcas do espancamento que sofrera na mão dos bandidos. Não conseguia entender porque estava prisioneiro daqueles homens e nem mesmo o que eles queriam comigo.
O que eu teria ou saberia que valia tanto?
Tentei fazer uma retrospectiva das últimas horas mas não conseguia
lembrar de nada até o instante da minha fuga.
Como fui parar naquela mansão? Quem era o chefe desses bandidos?

As respostas não vinham, mas meus perseguidores se aproximavam.
Desesperado, entrei numa rua transversal, tentando despistá-los.
Percebi que um carro também entrou na mesma rua, logo atrás do meu, "cantando" os pneus. Aumentei a velocidade tentando me distanciar e me preparando para entrar numa outra rua, em uma intersecção que havia a algumas quadras adiante. Quando estava a uns cem metros da citada esquina, tive meu caminho bloqueado por dois automóveis, deixando-me sem qualquer alternativa, a não ser a de colidir com estes veículos, provocando um acidente e talvez a morte dos ocupantes destes e até a minha própria. Instintivamente pisei forte no freio, travando as quatro rodas do carro, riscando o asfalto, com um barulho arrepiante e estridente. Imediatamente sentiu-se no ar o cheiro de borracha queimada. Assim que meu carro parou, foi cercado por quatro daqueles brutamontes, todos armados. Um deles, que parecia o chefe, abriu a porta do meu carro e quase me estrangula ao retirar-me à força de dentro. Fui arrastado até um dos carros que parara à frente do meu e jogado no chão, diante da porta traseira. O vidro foi baixado e então pude ver o rosto do meu algoz. Andrea Bocelli, o cantor cego!
Não entendi nada. o que o Bocelli poderia querer comigo? Que mal eu lhe teria feito?
Não me contive e gritava, repetindo desesperado:

- Andrea, o que você quer comigo?

- Andrea, o que você quer comigo?

- Andrea, o que você quer comigo?

Ao gritar pela terceira vez, recebi um murro na barriga e pude ouvir
claramente estas palavras:

- Acorde, descarado! Quem é esta Andrea?

FIM

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